
“É como se tivéssemos adiantado o relógio do aquecimento global em cerca de uma década”. É assim que pesquisadores descrevem o resultado de um estudo que analisou esponjas marinhas centenárias para determinar o aumento da temperatura do nosso planeta. O trabalho sugere que a Terra pode ter esquentado 1,7°C em relação à temperatura média anterior à era dos combustíveis fósseis.
Os resultados do estudo foram obtidos após análise da estrutura física das esponjas da espécie Ceratoporella nicholsoni, presentes no Caribe, perto das ilhas de Porto Rico e Saint Croix, e com parentes próximos no Brasil. Esses invertebrados, com estrutura corporal muito primitiva, semelhante à dos corais, crescem muito lentamente e podem viver séculos, sendo encontrados a dezenas de metros de profundidade.
Dessa forma, a estrutura calcária dos animais — chamados de “escleroesponjas”— pode ser usada para investigar como eram as condições ambientais do oceano no passado. Além disso, por crescer em profundidades que vão de 30 metros até quase 100 metros, as esponjas marinhas não estão sujeitas às flutuações mais rápidas e passageiras que afetam a temperatura da água perto da superfície.
Os pesquisadores combinaram os dados brutos sobre a variação proporcional dos elementos químicos com registros históricos sobre o clima e dados de temperatura obtidos diretamente no mar e em terra. Esses últimos, obtidos com termômetros relativamente confiáveis, são mais recentes, datando da segunda metade do século XIX em diante.
Mas algumas das esponjas são bem mais antigas, remontando ao começo do século XVIII. As informações históricas e de termômetros serviram para “calibrar” as oriundas das esponjas, atribuindo-lhes datas mais específicas.
O resultado, segundo os cientistas, acompanha com bastante precisão as medições mais convencionais da temperatura e alcança períodos em que não havia termômetros confiáveis. De acordo com os estudos, os dados indicam uma fase inicial de aquecimento causado pela ação humana, com a primeira intensificação de queima de combustíveis fósseis após o início da Revolução Industrial, a partir dos anos 1860. Medições diretas de temperatura dos oceanos, no entanto, só mostram esse processo 80 anos mais tarde.
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