Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 21 de março de 2024 · 2 min de leitura ·

Estudo revela como humanos migraram da África há milhares de anos

Estudo revela como humanos migraram da África há milhares de anos

Os nossos antepassados podem ter tido uma capacidade de adaptação muito maior do que pensávamos. É o que revela um novo estudo divulgado por pesquisadores. Após anos de escavação, eles descobriram evidências de que os humanos que habitaram o noroeste da Etiópia há 74 mil anos eram notavelmente adaptáveis.

Em 2002, uma equipe de paleoantropólogos encontrou pedras lascadas e milhares de ossos de animais fossilizados cobertos de marcas de corte na região, sinais de que povos antigos já haviam vivido no local. Após uma série de análises, pesquisadores então descobriram que caçadores-coletores habitaram aquela área e que eram capazes de construir flechas para caçar.

A equipe também encontrou centenas de fragmentos de cascas de ovos de avestruz. É possível que as pessoas que ocuparam o local tenham comido os ovos, ou usado as cascas como cantinas para armazenar água. Os cientistas conseguiram datar com precisão os materiais e estabelecer que eles tinham 74 mil anos atrás.

Mas o mais surpreendente, segundo estudo publicado na revista Nature, é que estes humanos antigos conseguiram se adaptar e sobreviver mesmo após uma enorme erupção vulcânica liberar grandes quantidades de cinzas e gases tóxicos que se espalharam pelo mundo, bloqueando o Sol por meses.

Após o vulcão Toba entrar em erupção, as condições climáticas imediatamente mudaram. A breve estação chuvosa no noroeste da Etiópia tornou-se muito mais curta, e os rios baixaram.

Muitos pesquisadores assumiram que essas mudanças brutais forçaram as pessoas a se refugiarem onde o ambiente era mais tolerante e onde poderiam continuar a sobreviver. Mas o novo estudo aponta que os humanos se adaptaram, pararam de caçar grandes mamíferos (a maioria desapareceu após a erupção), e começaram a pescar em águas rasas.

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