Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 19 de maio de 2024 · 2 min de leitura ·

Estudo alerta para ‘apropriação verde’ na expansão energética do Brasil

Estudo alerta para 'apropriação verde' na expansão energética do Brasil

Um estudo recente apresentou tendências preocupantes no setor de energia renovável do Brasil, especialmente no que diz respeito à privatização de terras para infraestrutura solar e eólica. Liderada por pesquisadores da UCL e da Universidade Boku, a pesquisa revela como corporações internacionais estão se apropriando de terras antes públicas e comuns.

Entre 2011 e 2021, o Brasil experimentou um crescimento significativo na capacidade eólica e solar, com a capacidade eólica aumentando de 1,2% para 11,4% e a solar de 0,1% para 2,6%. No entanto, essa transição para fontes de energia mais limpas tem um custo, já que parques eólicos e solares requerem terras substanciais.

Nosso trabalho destaca a importância de encontrar um equilíbrio entre o desenvolvimento de energia sustentável e a proteção de terras públicas e comuns. A privatização com supervisão deficiente e pouca transparência está sendo usada para apropriar e transferir terras de comunidades tradicionais para grandes corporações internacionais, apesar da grande insegurança na posse da terra.

A história do Brasil de desigualdades fundiárias e governança fraca agrava o problema, com a apropriação de terras já sendo algo comum em setores como a agricultura. Esse fenômeno tem provocado conflitos sobre a posse da terra, especialmente com populações indígenas e tradicionais.

O autor principal, Dr. Michael Klingler, destacou ao Tech Xplore a importância do diálogo inclusivo com comunidades afetadas, ONGs e cientistas para abordar esses conflitos. Ele adverte contra a legitimização de apropriações de terras sob o pretexto de mitigação climática, enfatizando a necessidade de caminhos de energia renovável justos e equitativos.

A questão da terra é central para impulsionar ações climáticas eficazes e promover caminhos de energia de baixo carbono ‘justos’. A necessidade da transição energética não deve ser questionada, mas sim a maneira como esses projetos são implementados.

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