Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 14 de setembro de 2025 · 2 min de leitura ·

Rochas do Milênio: como amostras gigantes de bilhões de anos chegaram a Londres?

Rochas do Milênio: como amostras gigantes de bilhões de anos chegaram a Londres?

Nos subúrbios do sul de Londres, na Inglaterra, um conjunto de rochas gigantes decora praças e parques. Mas esse não é um grupo comum de pedras, são fragmentos do passado da Terra forjados há mais de dois bilhões de anos e transportados por centenas de quilômetros para comemorar a virada do milênio.

Classificadas como Gnaisses Lewisianos, essas rochas se originaram nas Ilhas Hébridas, um arquipélago ao norte da Escócia. Elas são algumas das mais antigas formações da Europa Ocidental, segundo a instituição Scottish Geology Trust.

Quando o planeta Terra começou a esfriar, essas rochas se solidificaram nas profundezas da crosta terrestre. No decorrer do tempo, chegaram a profundidades de mais de 25 quilômetros, onde o calor e a pressão intensos as transformaram.

As forças no interior do planeta cristalizaram e alinharam os minerais em seu interior, formando camadas claras e escuras. Depois, os movimentos tectônicos comprimiram essas faixas, criando os padrões espiralados característicos dos gnaisses.

A ideia de levar essas rochas primordiais para Londres surgiu nas salas de reunião da Sociedade Geológica de Ravensbourne, em 1999, quando essa instituição decidiu comemorar o marco histórico da virada do milênio.

O jovem geólogo Austin Lockwood, que explorava o norte escocês na época, sugeriu que alguns desses gigantes blocos com bilhões de anos fossem espalhados pelo bairro do Bromley, ao sul da capital inglesa, para celebrar a data. Das ilhas Hébridas à Londres, a viagem com esse material percorreu mais de 750 quilômetros, quase a extensão completa das Ilhas Britânicas de norte a sul.

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