Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 16 de julho de 2024 · 2 min de leitura ·

Água da Amazônia corre risco — e já matou mais de 200 botos

Água da Amazônia corre risco — e já matou mais de 200 botos

Estudos do Instituto Mamirauá em Tefé, no Amazonas, evidenciaram uma realidade preocupante: as águas de todos os lagos da Amazônia vêm esquentando nas últimas décadas em escalas sem precedentes. Os mais afetados são os mamíferos aquáticos, como botos: foram mais de 200 animais mortos em apenas um mês.

A temperatura é sem precedentes e teve um pico em 2023, durante uma seca extrema na Amazônia. Na ocasião, o lago Tefé superou os 40ºC a dois metros de profundidade. Os pesquisadores atribuem o aquecimento acelerado às mudanças climáticas.

O aumento na temperatura, por sua vez, causou a morte de 209 botos em um mês. A maioria deles eram botos-cor-de-rosa (alguns eram tucuxi). Na época, o Olhar Digital noticiou o caso aqui.

Segundo Fleischmann (que integrou uma força-tarefa para identificar a morte dos animais), especialistas em mamíferos aquáticos já ficam em alerta quando encontram três carcaças de botos em algumas semanas. Em setembro do ano passado, quando a água atingiu 40ºC, foram 70 botos mortos em um único dia, algo nunca visto.

A conclusão foi que a culpada era a hipertemia, uma condição no qual o corpo fica com uma temperatura mais elevada do que o normal. Em setembro do ano passado, o aquecimento das águas se uniu a um período de seca e ausência de nuvens, que deixou os lagos desprotegidos. A água estava turva, o que facilitou o aquecimento.

Conforme o pesquisador à Agência FAPESP, a amplitude extrema de temperatura e a falta de refúgio do calor levou os botos a óbito.

Compartilhe