Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 4 de agosto de 2024 · 2 min de leitura ·

“Sem querer”, cientistas criam material extremamente preto (e colocam em relógios)

“Sem querer”, cientistas criam material extremamente preto (e colocam em relógios)

Cientistas da Universidade da Colúmbia Britânica (UBC), no Canadá, fizeram uma descoberta acidental que promete revolucionar diversos setores, desde a joalheria até a astronomia. Em experimentos para tornar a madeira mais resistente à água, os pesquisadores desenvolveram um novo material aveludado e preto (muito preto, mesmo) capaz de absorver quase toda a luz que incide sobre ele.

O chamado “Nxylon”, nome dado ao material em homenagem à deusa grega da noite, pode absorver mais de 99% da luz que o atinge (refletividade média de 0,68%) – significativamente mais do que a tinta preta normal, que absorve cerca de 97,5% da luz (reflete pelo menos 2,5%). Um artigo sobre a pesquisa foi publicado na revista Advanced Sustainable Systems.

Ele é produzido através de um processo inovador que envolve a aplicação de plasma de alta energia em madeira de tília (e de outras espécies). A camada superficial que muda de estrutura tem apenas cerca de 0,5 a 1 mm de espessura. Isso significa que uma infinidade de folhas finas de Nxylon pode ser produzida a partir de uma única placa de madeira.

A capacidade do Nxylon de absorver quase toda a luz abre um leque de possibilidades. No setor de joalherias, por exemplo, o material pode substituir pedras preciosas negras como o ônix, oferecendo uma opção natural, sustentável e mais leve. A astronomia também pode se beneficiar do Nxylon, já que sua capacidade de absorver a luz pode melhorar a qualidade das imagens obtidas por telescópios.

Uma das características mais interessantes do Nxylon é sua sustentabilidade. A madeira de tília é uma matéria-prima renovável e amplamente disponível. Além disso, o processo de produção é relativamente simples e não envolve o uso de produtos químicos tóxicos.

Os relógios no destaque da matéria contam com o Nxylon. Os cientistas demonstraram que ele pode substituir madeiras pretas caras e raras, como ébano e jacarandá, nos mostradores. A equipe da UBC planeja fundar uma startup para comercializar o material e explorar novas possibilidades. De repente, até como possível alternativa ao Vantablack, que consegue absorver 99,96% da luz.

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