Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 7 de agosto de 2024 · 2 min de leitura ·

Bolhas produzidas por estrelas mortas podem criar os fenômenos mais violentos do Universo

Bolhas produzidas por estrelas mortas podem criar os fenômenos mais violentos do Universo

Um artigo publicado nesta quarta-feira (7) na revista Nature relata a descoberta de novas evidências que ligam as explosões rápidas de energia, conhecidas como rajadas rápidas de rádio (FRBs), a estrelas de nêutrons altamente magnéticas, chamadas magnetares. Essas estrelas mortas liberam ventos de partículas tão poderosos que são capazes de criar ao seu redor enormes bolhas de plasma, um gás ionizado superaquecido.

As FRBs são eventos impressionantes: em apenas alguns milissegundos, elas emitem mais energia do que o Sol em três dias. Desde que a primeira FRB foi detectada, em 2001, os cientistas têm tentado desvendar a origem dessas explosões misteriosas – tarefa que tem se mostrado desafiadora. 

Muitas FRBs aparecem e desaparecem em um piscar de olhos, tornando difícil rastrear sua origem. Além disso, apenas uma pequena parte dessas rajadas se repete, levantando questões sobre se todas as FRBs têm a mesma origem ou se existem diferentes tipos de fontes.

Para investigar mais a fundo, uma equipe de astrônomos liderada por Gabriele Bruni, pesquisador do Instituto Nacional de Astrofísica da Itália, utilizou o Very Large Telescope (VLT) no deserto do Atacama, no Chile, para estudar uma FRB particularmente ativa chamada FRB 20201124A, que está a cerca de 1,3 bilhão de anos-luz da Terra. Essa rajada de rádio teve vários episódios de atividade explosiva nos últimos anos, tornando-se um alvo ideal para estudo.

Segundo Bruni, o grupo conseguiu detectar a emissão contínua mais fraca associada a uma FRB até o momento. Essa descoberta é crucial porque confirma uma teoria conhecida como “modelo nebular”. De acordo com esse modelo, o contínuo de rádio é produzido por uma bolha de plasma ao redor do motor central da FRB, inflada por ventos de partículas carregadas que emanam do objeto responsável pelas explosões.

O pesquisador destaca que essa descoberta permite atribuir a origem das FRBs ao remanescente de estrelas massivas, especificamente aos magnetares. Estes são um tipo de estrela de nêutrons que têm campos magnéticos incrivelmente fortes, formados quando estrelas massivas, com pelo menos oito vezes a massa do Sol, esgotam seu combustível nuclear e colapsam. Esse colapso leva à formação de uma estrela de nêutrons, um objeto tão denso que uma colher de chá de sua matéria pesaria cerca de um bilhão de toneladas.

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