Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 9 de setembro de 2024 · 2 min de leitura ·

Super-resfriamento do núcleo pode explicar o campo magnético da Terra

Super-resfriamento do núcleo pode explicar o campo magnético da Terra

Localizado a mais de cinco mil km abaixo da superfície, o núcleo interno da Terra é uma esfera sólida composta por ferro e níquel, que desempenha um papel crucial na sustentação da vida. 

Sem ele, as condições que experimentamos na superfície seriam radicalmente diferentes, tornando improvável a nossa própria existência. Apesar de sua importância, a origem e a evolução desse núcleo ainda são envoltas em mistério, e sua idade exata permanece indefinida. 

Em um artigo para o site The Conversation, Alfred Wilson-Spencer, pesquisador de física mineral na Universidade de Leeds, na Inglaterra, explica que o núcleo interno é o responsável pela geração do campo magnético da Terra, uma espécie de escudo que nos protege da radiação solar nociva. “Esse campo magnético foi essencial para o desenvolvimento das condições que permitiram o surgimento da vida há bilhões de anos”.

No passado, o núcleo interno era líquido, mas à medida que a Terra esfriou, ele começou a se solidificar. Segundo Wilson-Spencer, esse processo continua ocorrendo, com o núcleo interno crescendo lentamente enquanto o ferro líquido ao redor se solidifica. Mesmo assim, o núcleo interno permanece extremamente quente, com temperaturas que ultrapassam 4.700°C.

Durante a solidificação, elementos como oxigênio e carbono, que não se misturam bem com um sólido quente, são expulsos, criando um líquido quente e menos denso na base do núcleo externo. De acordo com o pesquisador, esse líquido ascende e se mistura com o restante do núcleo externo, gerando correntes elétricas que produzem o campo magnético da Terra. 

Para entender a evolução do campo magnético da Terra, geofísicos utilizam modelos que simulam o estado térmico do núcleo e do manto. Esses modelos ajudam a compreender como o calor é distribuído e transferido dentro do planeta. A suposição básica é que o núcleo interno sólido começou a se formar quando o líquido ao redor esfriou até o ponto de fusão. No entanto, Wilson-Spencer explica que essa visão simplificada não captura completamente a complexidade do processo.

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