
Sabia que o mar Mediterrâneo já foi uma espécia de “deserto salgado” por cerca de 500 mil anos? Sinais dessa mudança ainda podem ser vistos até hoje — e há uma chance de que o mesmo aconteça novamente no futuro.
Uma das principais causas da seca no Mediterrâneo pode ter sido o movimento das placas tectônicas. As placas africana e eurasiana colidiram lentamente uma com a outra por milhares de anos. Eventualmente, o processo fechou o Estreito de Gibraltar, o corpo de água que conecta o Oceano Atlântico ao mar Mediterrâneo.
O Mediterrâneo era muito vulnerável a mudanças. Por estar em um bolsão relativamente quente e seco do planeta, a água do mar evapora muito rápido. Sem um novo influxo de águas do Atlântico, o mar fechado secou em alguns milhares de anos, deixando para trás uma bacia coberta de sal que conectava partes do Norte da África com o sul da Europa.
Na teoria, teria sido possível vagar do atual Marrocos para a Espanha ou da Líbia para a Itália. Simultaneamente, a crise causou a dizimação da biodiversidade marinha no Mediterrâneo, matando quase 90% das espécies endêmicas.
Após um longo período de separação, a atividade tectônica fez eventualmente com que o Estreito de Gibraltar reabrisse, permitindo que uma gigantesca inundação de água do Atlântico corresse de volta para o Mediterrâneo. A chamada mega inundação Zancleana é considerada uma das inundações mais extremas já registradas no planeta Terra.
Mesmo hoje, o Mar Mediterrâneo continua mais salgado que o resto do Oceano Atlântico, em parte devido às mesmas condições geográficas e climáticas que contribuíram para a crise de salinidade messiniana. Embora não esteja mais isolado do Atlântico, o Mediterrâneo ainda tem troca limitada de água pelo Estreito de Gibraltar e sofre muita evaporação.
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