Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 18 de novembro de 2024 · 2 min de leitura ·

Este é o efeito do “apito da morte asteca” no cérebro humano

Este é o efeito do "apito da morte asteca" no cérebro humano

Em um estudo inédito publicado na Communications Psychology, pesquisadores analisaram os efeitos do apito da morte asteca no cérebro dos humanos modernos. O dispositivo emite sons assustadores – que se assemelham bastante a gritos de desespero – e, como explica a equipe, consegue colocar nosso córtex auditivo em extremo estado de alerta.

De acordo com os autores do estudo, os antigos astecas podem ter usado o apito da morte para aterrorizar adversários no campo de batalha ou, ainda, em cerimônias de sacrifício humano, imitando o assovio do vento no submundo asteca ou representando Ehecatl, o deus do vento em sua mitologia.  

Usando réplicas de apitos astecas, os pesquisadores conduziram experimentos psicoacústicos com voluntários, registrando suas respostas neurais e psicológicas ao apito da morte. Com técnicas de neuroimagem, a equipe detectou “atividade cerebral muito específica” em regiões do córtex auditivo que respondem a ruídos assustadores.

Os ouvintes do experimento descreveram os sons do apito como “muito negativos”, “assustadores” e “aversivos”. A equipe aponta “uma origem híbrida natural-artificial”, com “uma mistura ambígua de componentes sonoros familiares e desconhecidos, bem como um simbolismo multicamadas”.

Ou seja, ao ouvir o som aterrorizante do apito, nosso cérebro não apenas é colocado em alerta máximo, mas também se esforça para tentar identificar um significado simbólico – o que torna a utilização dos apitos em rituais “muito provável, especialmente em ritos e cerimônias de sacrifício relacionadas aos mortos”, escreve a equipe.

Ana Julia Pilato é formada em Jornalismo pela Universidade São Judas (USJT). Já trabalhou como copywriter e social media. Tem dois gatos e adora filmes, séries, ciência e crochê.

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