Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 9 de julho de 2025 · 2 min de leitura ·

Só os EUA chegaram a Netuno – agora a China explica como vai mudar isso

Só os EUA chegaram a Netuno – agora a China explica como vai mudar isso

Até hoje, apenas uma espaçonave já sobrevoou Netuno. A sonda Voyager 2, lançada pelos EUA, que atualmente está a mais de 20 bilhões de km da Terra, passou perto do gigante gelado em agosto de 1989. Agora, a China anunciou que planeja ser a próxima a explorar o último planeta do Sistema Solar, além de Tritão, uma de suas 16 luas.

Um artigo publicado no início deste mês no Chinese Journal of Aeronautics detalha a futura missão chinesa para Netuno. A proposta prevê uma viagem de cerca de 15 anos até o planeta, seguida pela entrada em órbita (algo que a Voyager 2 não fez). Depois, a espaçonave usaria a gravidade da lua Tritão para ajustar sua trajetória e realizar observações aprofundadas.

Segundo o documento, chegando ao destino, a nave lançará uma sonda que entrará na atmosfera de Netuno para coletar dados diretamente. Enquanto isso, o orbitador vai examinar os anéis do planeta, sua atividade geológica e seu campo magnético. Também será investigada a possibilidade de vida no oceano subterrâneo da enigmática lua Tritão.

Um dos grandes desafios técnicos é a geração de energia. Netuno fica a mais de 4,5 bilhões de quilômetros da Terra, uma distância em que painéis solares não funcionam bem. Por isso, a missão usaria geradores de energia a partir de radioisótopos, que fornecem eletricidade de forma constante, mesmo no espaço profundo.

A espaçonave chinesa deve contar com 11 instrumentos científicos, incluindo sensores para medir campos magnéticos, ondas de rádio, partículas e poeira. Também será equipada com câmeras e espectrômetros para observar diferentes tipos de luz, do infravermelho ao ultravioleta. Para garantir a navegação, usaria uma tecnologia avançada capaz de se orientar sozinha usando sinais de pulsares, estrelas que emitem raios X.

Antes de pensar em Netuno, a China vem ampliando suas ambições no espaço. Em 2021, o país pousou com sucesso o rover Zhurong em Marte com a missão Tianwen-1. Em maio deste ano, lançou a Tianwen-2, com o objetivo de coletar amostras de um asteroide e visitar um cometa na próxima década. Já a Tianwen-3, prevista para 2028, deve trazer amostras de Marte. Com a missão Tianwen-4, o país pretende estudar o sistema de Júpiter e sobrevoar Urano.

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