Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 26 de novembro de 2024 · 2 min de leitura ·

Observatório de raios-X detecta “buraco negro oculto” devorando estrela

Observatório de raios-X detecta "buraco negro oculto" devorando estrela

Lançado em setembro de 2023, o observatório XRISM, liderado pela Agência de Exploração Aeroespacial do Japão (JAXA), registrou o espectro mais detalhado de Cygnus X-3, um sistema binário localizado a cerca de 32 mil anos-luz, na constelação de Cygnus. Este sistema é composto por uma estrela Wolf-Rayet, uma das mais massivas e raras que existem, e um objeto compacto que aparenta ser um buraco negro.

De acordo com Ralf Ballhausen, pesquisador da Universidade de Maryland e do Centro Goddard da NASA, o que torna Cygnus X-3 único são os intensos ventos estelares emitidos pela Wolf-Rayet. “Esses ventos removem gases da superfície da estrela, que são aquecidos pela interação com o objeto compacto, gerando emissões de raios-X”, disse o cientista em um comunicado.

Data from @JAXA_en's XRISM captured the most detailed portrait of gases flowing within Cygnus X-3 — a binary system with a high-mass star and a compact object. XRISM saw gas flowing from the massive star and interacting with its companion, causing ripples. https://t.co/SA649owtI4 pic.twitter.com/qJDYWkuDWS

Os dados foram obtidos por um instrumento do XRISM (sigla para Missão de Imagem e Espectroscopia de Raios-X) chamado Resolve, um espectrômetro de alta precisão, que analisou o sistema por 18 horas em março. 

Cygnus X-3 já foi amplamente estudado em outras faixas de luz, como rádio, infravermelho e raios gama, mas as novas observações em raios-X trouxeram informações inéditas sobre os fluxos de gás ao redor do binário. A proximidade entre os dois corpos, que completam uma órbita em apenas 4,8 horas, cria uma região turbulenta onde o gás é iluminado e ionizado pela radiação.

O espectro registrado mostrou emissões e absorções de raios-X com características deslocadas de suas posições normais, um efeito causado pelo movimento rápido do gás. Enquanto os gases que se movem em direção à Terra atingem velocidades de até 1,5 milhão de quilômetros por hora, os que se afastam exibem emissões mais fracas.

Compartilhe