Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 3 de fevereiro de 2025 · 2 min de leitura ·

Ponto-chave da evolução da vida complexa é reproduzido em laboratório

Ponto-chave da evolução da vida complexa é reproduzido em laboratório

Pela primeira vez, pesquisadores conseguiram reproduzir em laboratório um fenômeno chamado endossimbiose, que ocorre quando uma célula vive dentro de outra, criando uma relação simbiótica entre os organismos – etapa crucial da evolução da vida complexa. 

Para entender como esses relacionamentos se estabelecem e se tornam estáveis, uma equipe de cientistas observou a interação entre um fungo e uma bactéria já presentes na natureza.

O fungo Rhizopus microsporus e a bactéria Mycetohabitans rhizoxinica mantêm uma relação simbiótica, na qual a bactéria produz veneno que ajuda o fungo a infectar plantas de arroz. Esse relacionamento é tão intrínseco que o fungo não consegue se reproduzir sem a bactéria. Então, os pesquisadores decidiram recriar essa simbiose no laboratório para estudar os primeiros passos dessa interação.

Um dos maiores desafios foi inserir as bactérias dentro das células do fungo, que têm uma parede celular rígida. Para isso, o grupo, liderado pelo microbiologista Gabriel Giger, usou uma tecnologia chamada FluidFM. Esse método consiste em aplicar pressão para forçar a bactéria a entrar na célula fúngica, o que exigiu bastante precisão. Apesar de dificuldades iniciais, o processo foi bem-sucedido e as bactérias começaram a se reproduzir dentro do fungo.

De acordo com o artigo que descreve a pesquisa, publicado na revista Nature, o que mais surpreendeu os cientistas foi que, após a injeção das bactérias, tanto o fungo quanto a bactéria se adaptaram rapidamente ao novo ambiente. “Nenhum desses organismos está envenenando um ao outro, e suas taxas de crescimento correspondem aproximadamente a esse espectro de viabilidade para ambos”, disse Giger à revista Quanta. “A bactéria sobreviveu, protegida e alimentada pelo fungo – e o fungo marcou um parceiro venenoso”.

Em poucas gerações, o fungo já havia modificado seu genoma para acomodar as bactérias. Esse fenômeno mostra como as células podem, de fato, evoluir rapidamente para formar uma parceria simbiótica estável.

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