Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 3 de fevereiro de 2025 · 2 min de leitura ·

Estruturas gigantes no interior da Terra são mais antigas e misteriosas do que se pensava

Estruturas gigantes no interior da Terra são mais antigas e misteriosas do que se pensava

Um novo estudo sobre as enormes estruturas em forma de “ilha” localizadas próximas ao núcleo da Terra trouxe revelações surpreendentes: além de serem extremamente antigas, elas podem mudar a compreensão atual sobre o manto terrestre.

Essas formações estão situadas abaixo da África e do Oceano Pacífico, na parte mais profunda do manto terrestre, envolvendo o núcleo do planeta. Juntas, ocupam entre 3% e 9% do volume total da Terra.

Sem a possibilidade de observação direta do núcleo terrestre, cientistas utilizam técnica conhecida como tomografia sísmica, que analisa ondas geradas por terremotos para criar mapeamento do interior do planeta. Essas ondas se propagam em diferentes velocidades dependendo da densidade dos materiais que atravessam, permitindo a identificação de estruturas subterrâneas.

Na década de 1970, foram descobertas duas grandes formações anômalas conhecidas como Províncias de Baixa Velocidade de Cisalhamento (LLSVPs, na sigla em inglês). Nessas regiões, as ondas sísmicas se movem mais lentamente do que no restante do manto inferior, indicando que esses “blobs“, como são apelidados, possuem composição e temperatura diferenciadas.

“Sabemos há anos que essas ilhas estão localizadas na fronteira entre o manto e o núcleo da Terra e que as ondas sísmicas desaceleram nessa região“, explica Arwen Deuss, coautora do estudo e pesquisadora da Universidade de Utrecht (Holanda), em comunicado. “Essa desaceleração ocorre porque as LLSVPs são mais quentes, assim como uma pessoa corre menos rápido no calor do que no frio.”

Sob a África, a estrutura chamada “Tuzo” possui cerca de 800 quilômetros de altura, o equivalente a 90 vezes o Monte Everest, explana o IFLScience.

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