Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 4 de fevereiro de 2025 · 2 min de leitura ·

Mundo “marshmallow” pode mudar tudo o que se sabe sobre a formação de planetas

Mundo “marshmallow” pode mudar tudo o que se sabe sobre a formação de planetas

Uma pesquisa publicada recentemente no periódico The Astronomical Journal trouxe novas descobertas sobre o exoplaneta WASP-121b, um mundo gigantesco e extremamente quente localizado a aproximadamente 858 anos-luz da Terra que tem desafiado as ideias convencionais sobre como os planetas se formam e evoluem.

Com base em observações do telescópio Gemini do Sul, que fica a uma altitude de 2.737 metros, em Cerro Pachón, nos Andes chilenos, a pesquisa revelou informações surpreendentes sobre a formação daquele objeto, colocando em xeque as teorias até então aceitas sobre o nascimento e a migração dos exoplanetas.

Desde que o primeiro mundo fora do Sistema Solar foi descoberto em 1995, mais de seis mil foram encontrados. E muitos deles são completamente diferentes de qualquer coisa detectada na órbita do nosso Sol. 

É o caso dos planetas do tipo “Júpiter quente”, gigantes gasosos com tamanhos e massas similares aos de Júpiter, mas que estão tão próximos de suas estrelas que completam uma órbita em apenas algumas horas. Esses mundos, muitas vezes descritos como “marshmallows assados”, suportam temperaturas altíssimas e têm características bem inusitadas.

Estudos anteriores sugeriam que esses planetas se formavam a distâncias maiores de suas estrelas, assim como Júpiter e Saturno no Sistema Solar. A ideia era que, com o tempo, eles migravam para dentro, em direção às suas estrelas. No entanto, as novas descobertas sobre o WASP-121b colocam essas hipóteses em dúvida.

O avanço que possibilitou essa nova descoberta foi a utilização do Espectrógrafo de Infravermelho com Grade de Imersão (IGRINS), instalado no telescópio Gemini do Sul. Esse instrumento inovador permitiu que a equipe de cientistas medisse pela primeira vez a proporção de rocha e gelo presentes na atmosfera do exoplaneta, o que ajudou a determinar com mais precisão a sua formação.

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