
Um artigo aceito para publicação pela revista Astronomy and Astrophysics, disponível no servidor de pré-impressão arXiv, descreve a descoberta de uma gigantesca estrutura cósmica que pode ser a maior já identificada no Universo. Trata-se de um conjunto de aglomerados de galáxias que se estende por cerca de 1,3 bilhão de anos-luz e possui 200 quatrilhões de vezes a massa do Sol.
A equipe batizou essa estrutura de “Quipu”, em referência ao sistema inca de contagem baseado em nós atados em cordas. A escolha do nome é porque Quipu lembra um longo fio com ramificações, semelhante à forma como esses aglomerados de galáxias estão distribuídos.
Se confirmada, essa descoberta supera recordistas anteriores, como o superaglomerado Laniākea, e pode representar o maior objeto já catalogado em termos de comprimento.
No artigo, os autores revelam que Quipu se destaca no mapa do céu sem necessidade de técnicas sofisticadas de detecção. Sua presença foi identificada visualmente na distribuição dos aglomerados de galáxias em determinada faixa de desvio para o vermelho, um efeito relacionado à expansão do Universo. Quanto maior o desvio para o vermelho, mais distante está o objeto, e a pesquisa focou em estruturas situadas entre 425 milhões e 815 milhões de anos-luz da Terra.
A descoberta de Quipu se soma a outras superestruturas que revelam a complexidade da distribuição da matéria no Universo. Além dele, os pesquisadores identificaram mais quatro estruturas gigantes. Entre elas está o superaglomerado Shapley, já considerado a maior superestrutura conhecida. No entanto, agora ele foi superado não apenas por Quipu, mas também por três outras formações imensas: Serpens-Corona Borealis, o superaglomerado Hércules e Sculptor-Pegasus.
Essas cinco superestruturas dominam uma fração significativa do cosmos. Juntas, concentram cerca de 45% dos aglomerados de galáxias conhecidos, 30% das galáxias e 25% da matéria observável. No total, representam aproximadamente 13% do volume do Universo mapeado pelos astrônomos.
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