
Astrônomos detectaram um jato de buraco negro que se formou quando o Universo tinha menos de 1,2 bilhão de anos – cerca de 9% da idade atual. Estendendo-se por 200 mil anos-luz (o dobro da largura da Via Láctea), o jato é o maior já observado em uma época tão remota. Essa descoberta foi publicada no periódico científico The Astrophysical Journal Letters.
Os buracos negros centrais das galáxias acumulam gás e poeira em um disco giratório. À medida que o material é puxado para o buraco negro, ele gera grandes quantidades de energia devido ao atrito, o que resulta na emissão de poderosos jatos. Embora centenas já tenham sido identificados, nenhum foi detectado em uma época tão distante do Universo. Agora, esta descoberta prova que é possível observar jatos de buracos negros primitivos.
O jato recém-descoberto sai de ambos os lados de um buraco negro ativo, um quasar chamado J1601 + 3102, que possui 450 milhões de vezes a massa do Sol e está localizado em uma galáxia que fica entre 10 bilhões e 13 bilhões de anos-luz da Terra. Esse quasar foi identificado em 2022 por uma rede de antenas de rádio na Holanda, parte da colaboração Low Frequency Array (LOFAR), que investigou a intensa emissão de luz do buraco negro ofuscando completamente sua galáxia hospedeira.
Impressionada pela descoberta, a astrônoma Anniek Gloudemans, do Laboratório Nacional de Pesquisa em Astronomia Óptica-Infravermelha (NOIRLab), da Fundação Nacional de Ciência dos EUA (NSF), realizou mais observações, desta vez utilizando as 51 antenas do LOFAR espalhadas pela Europa.
Com isso, Gloudemans e sua equipe criaram um radiotelescópio do tamanho do continente, o que aumentou o nível de detalhe das imagens em 20 vezes. As imagens revelaram um lóbulo norte do jato a 29.358 anos-luz do quasar, além de uma bolha no sul que se estende por 186.954 anos-luz. A bolha do sul foi identificada como o contrajato, tornando-o o maior já observado em um buraco negro tão antigo.
Embora as descobertas de jatos de buracos negros não sejam novas, a detecção desses jatos no início do Universo é uma grande conquista. Isso se deve ao fato de que a radiação cósmica de fundo, remanescente do Big Bang, interfere na observação de jatos em comprimentos de onda de rádio, tornando-os difíceis de detectar. No entanto, devido às características extremas desse objeto, foi possível observá-lo, mesmo estando a uma distância imensa.
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