
Um estudo recente publicado na revista Geology revelou que o derretimento de geleiras colossais, há cerca de 700 milhões de anos, durante o período Criogeniano, desempenhou um papel crucial no desenvolvimento da vida complexa na Terra.
A pesquisa, liderada pelo professor Chris Kirkland, da Curtin University, na Austrália, demonstra como a ação das geleiras, ao “pulverizar” a superfície terrestre, liberou minerais essenciais que transformaram a química dos oceanos.
Durante o Criogeniano, a Terra passou por dois eventos de glaciação global extrema, conhecidos como “Terra Bola de Neve”, nos quais o planeta ficou coberto por camadas de gelo com quilômetros de espessura. As geleiras, ao se moverem, agiram como “escavadeiras gigantes”, erodindo a crosta terrestre e expondo minerais antes inacessíveis.
Com o fim do período glacial, impulsionado pela atividade vulcânica que liberou dióxido de carbono na atmosfera, as geleiras derreteram, desencadeando inundações massivas que transportaram esses minerais para os oceanos.
Esse influxo de elementos mudou a química do oceano, em um momento em que uma vida mais complexa estava começando a evoluir, afirma Kirkland.
A pesquisa analisou rochas sedimentares formadas durante o degelo, revelando como a erosão glacial expôs camadas mais profundas e antigas da crosta terrestre. A liberação desses minerais, incluindo urânio, alterou significativamente a composição dos oceanos, criando um ambiente propício para o surgimento de formas de vida mais complexas.
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