
Pesquisadores realizaram um grande estudo sobre a diversidade genética da mandioca (aipim ou macaxeira, se preferir!) e descobriram que a domesticação da planta teve uma grande importância. Segundo os cientistas, as variedades existentes são capazes de carregar bastante variabilidade genética.
Isso possibilitaria que elas continuassem ajudando a alimentar cerca de um bilhão de pessoas todos os dias sem grandes riscos de desaparecer por causa de pragas ou outros problemas. O trabalho foi publicado na revista Science.
O padrão de variabilidade genética altamente incomum identificado pelos pesquisadores na mandioca se deve, em grande parte, à maneira como ela quase sempre é propagada por agricultores no mundo todo. Isso porque as plantas cultivadas quase sempre são clones de outras.
Em vez de usar sementes, surgidas do cruzamento entre plantas diferentes, a prática mais comum é enterrar ramas (pedaços cortados do caule), a partir das quais nascem novas plantas. Isso não significa que elas não cruzem e produzam sementes, mas o produtor quase nunca vai plantar essas sementes porque elas ficam um ano sem produzir as raízes tuberosas.
Por causa da facilidade de transporte e troca das ramas de uma comunidade para outra, a propagação da planta por esse método se espalhou por boa parte do continente americano antes da invasão europeia. Com o início da colonização, ela alcançou muitas outras regiões do mundo, em especial na África.
O processo parece ter sido tão bem-sucedido que a planta praticamente não carrega uma característica que é típica de quase todas as espécies, inclusive as domesticadas: a chamada estrutura populacional geográfica. O termo significa que, em geral, as subpopulações de uma espécie muito espalhada tendem a desenvolver suas próprias características em cada região.
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