Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 24 de março de 2025 · 2 min de leitura ·

Oscilações de oxigênio: como o estresse diário moldou a evolução da vida na Terra

Oscilações de oxigênio: como o estresse diário moldou a evolução da vida na Terra

Há cerca de 500 milhões de anos, os oceanos eram um ambiente estressante para a vida primitiva na Terra. Durante o dia, a fotossíntese das algas enriquecia a água com oxigênio, mas à noite esse gás essencial se esgotava rapidamente. 

Esse ciclo diário de abundância e escassez representava um grande desafio para os primeiros animais, que precisavam se adaptar para sobreviver.

Um estudo publicado sexta-feira (21) na revista Nature Communications sugere que essas variações bruscas nos níveis de oxigênio foram um fator determinante para a diversificação da vida animal na chamada Explosão Cambriana. 

Segundo a nova abordagem, em vez de uma mudança gradual nos níveis globais de oxigênio, como antes se acreditava, o que teria impulsionado a evolução foi a necessidade de lidar com condições imprevisíveis no ambiente marinho raso.

Cientistas há décadas discutem os gatilhos da Explosão Cambriana, um período de rápida diversificação da vida animal. Muitas teorias apontavam para o aumento do oxigênio atmosférico ao longo de milhões de anos como a principal causa. No entanto, pesquisas recentes questionam essa hipótese e sugerem que as mudanças diárias no nível de oxigênio no fundo do mar tiveram um papel primordial.

Modelos computacionais que simulam as condições da época mostram que as águas rasas e quentes experimentavam oscilações extremas de oxigênio. Durante o dia, a intensa fotossíntese elevava a concentração do gás, criando um ambiente favorável à vida. À noite, no entanto, o consumo de oxigênio pelos microrganismos levava rapidamente à anoxia, tornando o ambiente inóspito.

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