
Escavações recentes no sítio arqueológico de Pompeia (Itália) – cidade imortalizada pela erupção do Monte Vesúvio em 79 d.C., que, ao encerrar o tempo, preservou inúmeros vestígios históricos – desenterraram murais e afrescos romanos que revelam aspectos do cotidiano e das crenças da época.
Em abril de 2024, pesquisadores da Universidade Open de Artes e Humanidades investigaram nova área de escavação na cidade italiana, ampliando o conjunto de afrescos já conhecidos e resgatando outras descobertas inusitadas do passado. Entre elas, destaca-se uma achada na Jordânia, realizada em 2016, onde pinturas do século I d.C. incorporavam balões de fala escritos em aramaico.
Contrariando a ideia de que as artes milenares eram sempre formais e solenes, esses vestígios demonstram que, frequentemente, a arte refletia o cotidiano de forma descontraída. Nos “quadrinhos” encontrados na Jordânia – datados da época em que a região integrava a província da Judeia, na cidade de Capitolias – os textos dos balões trazem expressões, como “Estou cortando [pedra]” e “Ai de mim! Estou morto!”.
A preservação desses afrescos depende de condições naturais ideais. No caso de Pompeia, as cinzas vulcânicas atuaram como selo protetor, isolando as pinturas por mais de 1,5 mil anos, enquanto, na Jordânia, a aridez do deserto cobriu o basalto repleto de arte com uma camada que o protegeu do tempo.
Além disso, os grafites encontrados em Pompeia e Herculano – esta última também atingida pelo Vesúvio – estão reunidos no sítio Ancient Graffiti Project, oferecendo vislumbre da vida romana durante a dinastia Flaviana, por volta de 79 d.C.
Entre as pinturas mais irreverentes, destacam-se representações de figuras mitológicas nuas, cenas sugestivas e uma curiosa fixação por símbolos fálicos. Algumas inscrições chamativas evidenciam que, em muitos aspectos, o comportamento humano se mantém surpreendentemente similar ao de antigamente:
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