Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 28 de março de 2025 · 2 min de leitura ·

Poeira tóxica de Marte pode ameaçar a saúde dos astronautas

Poeira tóxica de Marte pode ameaçar a saúde dos astronautas

Entre os desafios mais preocupantes das futuras missões tripuladas a Marte está a poeira do planeta, que pode representar um risco significativo à saúde dos astronautas. 

Um estudo recente da Universidade do Sul da Califórnia (USC), nos EUA, alerta que as partículas suspensas na atmosfera marciana podem causar problemas respiratórios graves, aumentando os desafios para uma missão tripulada de longa duração.

As tempestades de poeira são fenômenos comuns em Marte. Elas ocorrem anualmente, durante o verão no hemisfério sul, e a cada cinco anos terrestres podem atingir uma escala global, cobrindo todo o planeta por semanas. Essas tempestades já causaram falhas em missões robóticas, como aconteceu em 2018 e 2022, quando os veículos Opportunity e InSight perderam energia e deixaram de funcionar.

Mas, o que acontece com astronautas expostos a esse ambiente? O estudo destaca que a poeira marciana é extremamente fina e pode ser facilmente inalada. Na Terra, nosso sistema respiratório conta com mecanismos naturais para expelir partículas maiores, mas a poeira de Marte tem grãos tão pequenos que podem penetrar profundamente nos pulmões, causando inflamações e danos severos ao tecido pulmonar.

Outro fator preocupante é a composição química da poeira. O solo marciano contém sílica, óxidos de ferro e metais tóxicos, como cádmio, arsênio e cromo. Essas substâncias são conhecidas por causar doenças pulmonares graves na Terra, como silicose e pneumoconiose (ambém chamada de “pulmão negro”), uma condição comum entre trabalhadores de minas de carvão expostos à inalação prolongada de poeira mineral.

A comparação com a poeira lunar também gera alertas. Durante as missões Apollo, os astronautas relataram dificuldades para lidar com o regolito lunar, que grudava em seus trajes espaciais e se espalhava facilmente dentro das cápsulas. Muitos sofreram com irritação nos olhos, tosse intensa e até visão turva. Em Marte, os efeitos podem ser ainda mais graves devido à composição química mais tóxica e ao tamanho reduzido das partículas.

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