Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 8 de abril de 2025 · 2 min de leitura ·

Pesquisa propõe outra teoria para a origem da vida

Pesquisa propõe outra teoria para a origem da vida

Um experimento recente revisitou uma das mais conhecidas teorias sobre a origem da vida na Terra e propõe um mecanismo alternativo para a formação das primeiras moléculas orgânicas essenciais. Com base em uma versão atualizada do famoso experimento de Miller-Urey, cientistas sugerem que micro-raios gerados em névoas de água podem ter sido responsáveis por iniciar reações químicas fundamentais há bilhões de anos.

A hipótese foi apresentada por uma equipe liderada pelo químico Dr. Richard Zare, da Universidade Stanford, em pesquisa publicada na revista Science Advances. Segundo os pesquisadores, esse fenômeno elétrico em escala microscópica seria mais frequente e contínuo do que os raios atmosféricos, historicamente considerados um dos principais catalisadores da chamada “sopa primordial”.

Apesar de não trazer descobertas químicas inéditas, a pesquisa reforça a viabilidade de outro mecanismo natural para a síntese de moléculas orgânicas a partir de compostos inorgânicos. “Não descobrimos nenhuma nova química”, afirmou Zare. “O que fizemos, pela primeira vez, foi observar que pequenas gotículas de água emitem luz e geram essa centelha. E essa centelha desencadeia todo tipo de transformação química.”

A astrobióloga e geobióloga Dra. Amy J. Williams, da Universidade da Flórida, que não participou do estudo, comentou os achados: “É reconhecido que um catalisador energético foi quase certamente necessário para facilitar algumas das reações na Terra primitiva que levaram à origem da vida. Os raios, ou neste caso, os micro-raios, possuem energia suficiente para quebrar essas ligações moleculares e, assim, facilitar a geração de novas moléculas essenciais para a origem da vida na Terra.”

A teoria clássica que envolve raios como fonte de energia para a formação de moléculas orgânicas já foi questionada por sua baixa frequência na atmosfera primitiva. “Mesmo em uma Terra instável, bilhões de anos atrás, os raios podem ter sido raros demais para produzir aminoácidos em quantidades suficientes para sustentar a vida”, explicou Zare.

Em contraste, a formação constante de névoas e gotículas de água em lagos rasos e poças poderia ter oferecido um ambiente mais propício para reações frequentes e contínuas.

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