
Dois grandes estudos genéticos e arqueológicos estão reescrevendo a história da domesticação dos gatos.
Ao contrário da visão tradicional de que os felinos acompanharam os primeiros agricultores do Neolítico para a Europa, as novas evidências sugerem que os gatos domésticos vieram do Norte da África — especialmente da Tunísia — e só chegaram ao continente europeu milhares de anos depois, em ondas ligadas a contextos culturais e religiosos.
As investigações, lideradas respectivamente pelas universidades de Roma Tor Vergata e Exeter, analisaram milhares de ossos, genomas antigos e modernos, e evidências arqueológicas em centenas de sítios na Europa, Norte da África e Anatólia.
Enquanto a equipe italiana identificou a presença de gatos domesticados na Europa a partir do século I d.C., durante o Império Romano, o grupo britânico defende que os primeiros felinos domesticados chegaram já no início do primeiro milênio a.C., com registros na Grã-Bretanha durante a Idade do Ferro.
As pesquisas também mostram que, ao chegarem à Europa, os gatos domésticos interagiram com populações nativas de gatos selvagens, levando à miscigenação, competição por recursos e, possivelmente, ao declínio dos gatos silvestres europeus a partir do primeiro milênio d.C.
Esses achados desafiam a narrativa estabelecida sobre a origem dos gatos domésticos na Europa e ressaltam como a dependência exclusiva de marcadores mitocondriais obscureceu aspectos essenciais dessa história.
Entre para comentar.