Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 5 de agosto de 2025 · 2 min de leitura ·

Brasileiro diz que imagem no “Santo Sudário” não corresponde a um ser humano real

Brasileiro diz que imagem no “Santo Sudário” não corresponde a um ser humano real

Considerado uma relíquia sagrada há séculos, o Santo Sudário, também chamado de Sudário de Turim, não é o que parece, conforme relatado por um pesquisador e designer 3D brasileiro em um artigo publicado na revista científica Archaeometry.

Descoberto em 1354, na França, o sudário é um pano de linho antigo que exibe a imagem tênue de um homem com barba e cabelos longos. Desde o aparecimento do objeto, muita gente acredita que ele tenha envolvido o corpo de Jesus Cristo após a crucificação, embora a Igreja Católica nunca tenha confirmado oficialmente essa teoria. Outros acham que se trata apenas de uma obra de arte medieval.

Morador da cidade de Sinop, no Mato Grosso, Cícero Moraes, que já trabalhou em diversas modelagens 3D, como a reconstrução dos rostos da “Caveira de Jericó”, de Santo Antônio de Pádua e de Zuzu, um dos primeiros habitantes do Brasil, contou ao Olhar Digital como surgiu a ideia de investigar o Sudário de Turim.

Segundo a análise, a figura retratada no sudário não corresponde à forma de um corpo humano real. Especialista em reconstrução facial e simulações 3D, Moraes notou que as proporções do corpo são rígidas e artificiais. Ele afirma que o desenho não mostra as deformações naturais que um tecido teria ao ser colocado sobre um corpo de verdade.

De acordo com o pesquisador, a imagem foi criada, provavelmente, com base em uma escultura em baixo relevo, uma técnica artística usa formas levemente elevadas em relação ao fundo. “Quando você envolve um objeto 3D com um tecido, esse objeto deixa um padrão, como manchas de sangue, e essas manchas geram uma estrutura mais robusta e mais deformada em relação à fonte”, explica Moraes no vídeo acima. “O resultado de uma impressão de manchas de um corpo humano seria uma versão mais inchada e distorcida dele, não uma imagem que parece uma fotocópia. Um baixo-relevo, no entanto, não faria com que a imagem se deformasse, resultando em uma figura que se assemelha a uma fotocópia do corpo”.

Para comprovar isso, Moraes fez testes usando softwares gratuitos de modelagem em 3D. Ele comparou dois cenários: em um, o pano cobre um corpo humano virtual; no outro, sobre uma escultura em baixo relevo. O resultado mostrou que, no primeiro caso, a imagem final fica mais larga e esticada, diferente do sudário real.

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