Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 30 de abril de 2025 · 2 min de leitura ·

Como um experimento ambicioso dividiu a comunidade científica sobre nossa consciência

Como um experimento ambicioso dividiu a comunidade científica sobre nossa consciência

A busca por entender a consciência humana tem gerado mais teorias do que respostas claras no campo da neurociência. “Na área da consciência, já existem tantas teorias que não precisamos de mais“, afirma Oscar Ferrante, neurocientista da Universidade de Birmingham (Inglaterra), ao The New York Times. Uma pesquisa de 2021 identificou 29 teorias diferentes sobre o tema.

Em 2018, um grupo ambicioso de cientistas liderado por Lucia Melloni, do Instituto Max Planck para Estética Empírica, decidiu adotar abordagem inovadora. “Não somos incentivados a abandonar nossas próprias ideias“, reconheceu Melloni, que reuniu 41 cientistas para formar o Consórcio Cogitate.

A proposta era revolucionária: uma “colaboração adversarial“, onde defensores de teorias rivais trabalhariam com pesquisadores neutros para testar suas hipóteses simultaneamente. O consórcio selecionou duas principais teorias para o confronto:

Durante dois anos, os pesquisadores planejaram meticulosamente o experimento. A partir de 2020, examinaram 267 voluntários em oito laboratórios distribuídos por Estados Unidos, Europa e China.

Os participantes jogaram videogames projetados para medir sua percepção consciente. Em um deles, deveriam capturar discos coloridos em movimento e indicar quando notavam um rosto desfocado atravessando a tela. Para garantir resultados abrangentes, utilizaram três técnicas diferentes:

Em 2022, a análise dos dados revelou que ambas as teorias fizeram algumas previsões corretas sobre o funcionamento cerebral durante experiências conscientes, mas, também, apresentaram falhas significativas. “Ambas as teorias estão incompletas“, concluiu Ferrante.

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