
A votação para a escolha de um novo papa é uma das tradições mais antigas do cristianismo. Após a morte de Francisco, no mês passado, um conclave será realizado a partir do dia 7 de maio para eleger o 267º líder da Igreja Católica.
Esta escolha precisa respeitar uma série de regras. Uma delas é que todos os cardeais votantes precisam ficar totalmente isolados do resto do mundo até que o processo seja finalizado. Isso pode ser rápido, mas também durar bastante tempo.
A escolha do sucessor do Papa Clemente IV durou 1006 dias, quase três anos. Os cardeais se isolaram em novembro de 1268 e só puderam deixar Viterbo, no norte de Roma, onde estava sendo realizado o processo, em setembro de 1271.
A votação, por fim, elegeu o Papa Gregório X. Ela ficou marcada na história por ser o primeiro exemplo de uma eleição papal por “compromisso”, depois de uma longa disputa entre os partidários de duas principais facções da Igreja Católica: os fiéis ao papado e os que apoiavam o Sacro Império Romano.
Gregório X foi eleito somente depois que os moradores de Viterbo arrancaram o telhado do prédio onde os cardeais estavam hospedados e restringiram suas refeições a pão e água para pressioná-los a chegar a uma conclusão o mais rápido possível.
Na esperança de evitar que isso voltasse a acontecer, a Igreja Católica determinou, em 1274, que os religiosos só receberiam uma refeição por dia se o conclave se estendesse além de três dias, e apenas pão, água e vinho se fosse além de oito. Esta medida, no entanto, foi revertida anos depois.
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