Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 6 de maio de 2025 · 1 min de leitura ·

Humanos moldaram cães e gatos de forma inesperada – e isso pode ser um problema

Humanos moldaram cães e gatos de forma inesperada – e isso pode ser um problema

Um novo estudo conduzido pela bióloga evolucionista Abby Grace Drake, da Cornell University, e publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, revela que a domesticação aproximou cães e gatos de formas inesperadas.

Apesar de separados por cerca de 50 milhões de anos de evolução, raças como pugs e gatos persas desenvolveram crânios semelhantes — especialmente no formato achatado do focinho — devido à criação seletiva feita por humanos.

Esse fenômeno é um exemplo de evolução convergente, quando espécies diferentes desenvolvem características parecidas por conta de pressões semelhantes, neste caso, impulsionadas pelo gosto humano por traços considerados “fofos”.

As feições achatadas, por exemplo, apelam aos instintos humanos que reagem positivamente a traços infantis (como olhos grandes e rostos redondos), mas também estão associadas a problemas respiratórios, neurológicos e reprodutivos.

Relatórios recentes do Comitê de Bem-Estar Animal do Reino Unido alertam para os riscos dessas práticas e pedem regulamentações mais rigorosas na criação de animais.

A pesquisa é um lembrete de como os humanos, ao intervir artificialmente na seleção genética, podem gerar semelhanças entre espécies distintas — mas também sofrimento animal — em apenas algumas décadas, revertendo lentamente o trabalho de milhões de anos de evolução.

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