Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 14 de maio de 2025 · 2 min de leitura ·

Predador bizarro de 500 milhões de anos tinha três olhos e garras espinhosas

Predador bizarro de 500 milhões de anos tinha três olhos e garras espinhosas

Pesquisadores descobriram um novo – e bizarro – predador de 506 milhões de anos no Canadá. A criatura pertencia ao extinto grupo dos Radiodontes e recebeu o nome de Mosura fentoni, conforme descrito em um artigo publicado recentemente na revista Royal Society Open Science.

Apesar do tamanho pequeno (aproximadamente um dedo indicador), o M. fentoni tinha uma aparência totalmente intimidadora: três olhos, garras espinhosas, boca circular cheia de dentes e uma fileira de nadadeiras nas laterais do corpo. Além disso, também possuía “16 segmentos compactos, revestidos por brânquias na extremidade posterior do corpo” – característica não observada em nenhum outro membro dos Radiodontes, explica Joe Moysiuk, líder do estudo, em comunicado.

A escolha do nome científico do M. fentoni veio em referência ao kaiju japonês Mothra, uma mariposa gigante fictícia. Não à toa, o predador até foi apelidado de “mariposa-do-mar” por conta de sua aparência.

“Os radiodontes foram o primeiro grupo de artrópodes a se ramificar na árvore evolutiva, fornecendo informações importantes sobre as características ancestrais de todo o grupo. A nova espécie enfatiza que esses primeiros artrópodes já eram surpreendentemente diversos e se adaptavam de forma comparável aos seus parentes modernos distantes”, diz Jean-Bernard Caron, coautor do estudo.

A equipe explica que, em vez de artérias e veias, o sistema circulatório do predador era “aberto” e composto por cavidades abertas (chamadas lacunas) que recebiam sangue do coração.

“As lacunas bem preservadas do sistema circulatório do Mosura nos ajudam a interpretar características semelhantes, porém menos claras, que já vimos em outros fósseis. Sua identidade tem sido controversa. A preservação dessas estruturas é generalizada, confirmando a origem antiga desse tipo de sistema circulatório”, completa Moysiuk.

Compartilhe