Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 21 de maio de 2025 · 2 min de leitura ·

Evento Carrington: Terra pode voltar a ser atingida por megatempestade solar?

Evento Carrington: Terra pode voltar a ser atingida por megatempestade solar?

Numa noite quente na Flórida, em agosto de 1859, o céu brilhou de forma inesperada. O que parecia ser o amanhecer ou talvez um incêndio distante, era na verdade a aurora boreal. Esse fenômeno geralmente só aparece em regiões próximas aos polos, mas naquela ocasião foi visto até na América Central. Pessoas acharam que o dia já estava começando, de tão iluminado que o céu ficou em algumas localidades.

Ao mesmo tempo, na Inglaterra, o astrônomo amador Richard Carrington observava o Sol com seu telescópio examinando manchas solares, quando viu dois pontos brilhantes que não deveriam estar ali. Sem saber, ele estava testemunhando o começo do que viria a ser chamado de Evento Carrington – a maior tempestade solar já registrada.

Esse tipo de evento acontece quando o Sol libera uma nuvem gigante de partículas carregadas, chamadas ejeção de massa coronal (CME). Essas partículas viajam a altíssima velocidade e, se atingirem a Terra, podem bagunçar o campo magnético do planeta. Foi isso que causou as auroras anormais e outros efeitos graves em 1859.

Na época, o principal meio de comunicação era o telégrafo, e as consequências foram imediatas. Fios pegaram fogo, operadores levaram choques e alguns ficaram feridos. As linhas longas dos telégrafos funcionavam como antenas, captando a energia da tempestade solar e causando curtos-circuitos.

De lá para cá, aprendemos a proteger melhor os sistemas elétricos. No entanto, hoje somos muito mais dependentes da eletricidade e de tecnologias sensíveis, como satélites e redes de internet. Um novo evento parecido pode ser muito mais destrutivo. 

Alex Gianninas, astrofísico do Connecticut College, nos EUA, explica em uma entrevista ao site Popular Science que uma tempestade desse tipo hoje afetaria desde satélites até a rede elétrica global. A energia liberada pode queimar componentes eletrônicos, prejudicar sistemas de navegação e até mudar a rota de satélites, aumentando o risco de colisões no espaço.

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