Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 23 de maio de 2025 · 2 min de leitura ·

Água oxigenada é base de nova tecnologia da USP para purificar água

Água oxigenada é base de nova tecnologia da USP para purificar água

Uma equipe de pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveu uma tecnologia inovadora para o tratamento de água, oferecendo uma alternativa mais segura, ecológica e econômica em comparação aos métodos convencionais baseados em cloro. O projeto foi conduzido no Instituto de Química de São Carlos (IQSC) e propõe o uso de peróxido de hidrogênio, conhecido popularmente como água oxigenada, gerado e monitorado em tempo real no próprio sistema.

A pesquisa, publicada na revista científica Process Safety and Environmental Protection, visa solucionar os riscos associados ao uso do cloro, como a formação de subprodutos tóxicos e a complexidade logística de transporte e armazenamento. Com a nova abordagem, o peróxido é produzido in situ, ou seja, no local de aplicação, o que aumenta a segurança operacional e reduz custos.

A tecnologia foi testada com sucesso em diferentes cenários, incluindo amostras contaminadas com pesticida tebuthiuron e efluentes industriais com alta carga orgânica. Em todos os casos, os resultados indicaram redução da toxicidade e remoção dos contaminantes, validando a eficiência da abordagem.

Diferentemente do cloro, a água oxigenada não forma subprodutos perigosos, sendo uma alternativa mais ecológica para a desinfecção da água. Além disso, por ser gerado sob demanda, o processo elimina riscos associados à manipulação de substâncias químicas concentradas.

A viabilidade econômica é outro ponto forte. O sistema evita gastos com transporte e armazenamento de reagentes e permite o uso de sensores baratos, inclusive com possibilidade de fabricação em papel. “Esse tipo de design reduz ainda mais o custo do processo”, aponta o professor Willyam Barros, da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), colaborador do projeto.

Mesmo desenvolvido em pequena escala, o sistema tem potencial para aplicações diversas, desde estações industriais até propriedades rurais e comunidades afastadas. “O objetivo é descentralizar o tratamento de água, levando a tecnologia para locais que não têm acesso a estruturas avançadas”, afirma o doutorando Robson Souto, coautor do estudo.

Compartilhe