
Uma nova tecnologia permitiu que cientistas registrassem, pela primeira vez com grande clareza, um fenômeno impressionante no Sol: plasma “chovendo” de volta na superfície do astro. Esse efeito acontece na coroa solar, a camada mais externa da atmosfera da estrela, visível apenas durante eclipses totais.
As imagens foram feitas por pesquisadores dos EUA usando um novo sistema que corrige distorções causadas pela atmosfera da Terra. O equipamento foi instalado no Telescópio Solar Goode, na Califórnia, e garantiu registros inéditos de detalhes ultrafinos na coroa, com resolução de até 63 quilômetros.
Parte do vídeo mostra o fenômeno chamado “chuva coronal”, em que o plasma – um gás superaquecido e eletricamente carregado – esfria, se condensa e cai de volta para a superfície do Sol. As gotas dessa chuva solar têm largura estimada de menos de 20 quilômetros, algo jamais visto com tanta nitidez até hoje.
A equipe também capturou o movimento de grandes estruturas de plasma que se projetam para fora da estrela, chamadas proeminências solares. Em um dos registros, essas proeminências aparecem sendo moldadas por campos magnéticos intensos, mostrando um comportamento dinâmico e turbulento.
Essas observações foram possíveis graças a um avanço na chamada “óptica adaptativa coronal”, uma tecnologia capaz de corrigir o efeito de distorção da atmosfera da Terra sobre as imagens feitas por telescópios. Essa correção funciona como um “foco automático” para imagens do espaço.
O sistema usa um espelho que muda de forma 2.200 vezes por segundo para compensar a turbulência do ar. Isso é semelhante ao que câmeras de celular fazem para estabilizar imagens tremidas, mas em uma escala muito mais complexa, voltada para observações astronômicas.
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