
Um “perfume de burro” é a mais nova aposta da Ciência para espantar insetos. Em um estudo publicado na PLOS One, pesquisadores da Universidade de Massachusetts Amherst (UMA), nos Estados Unidos, descobriram que há um composto na pele dos burros capaz de manter pragas – como carrapatos – afastadas.
De acordo com os pesquisadores, as glândulas sebáceas dos burros secretam uma substância chamada (E)-2-octenal. O composto foi testado em laboratório, e os resultados revelaram que ele pode ser usado para criar um repelente natural que funciona tão bem quanto os tradicionais à base de dietiltoluamida (DEET).
Em comunicado, a equipe explica que os repelentes de carrapatos mais eficazes hoje contém DEET ou permetrina – que até são seguros se usados corretamente, mas não completamente inofensivos. Os compostos são fortes e podem causar irritação na pele, fazendo com que muitas pessoas recorram a repelentes naturais – como o óleo de eucalipto – que não são tão potentes e duram menos que os repelentes químicos.
Antes dos testes em laboratório, os pesquisadores realizaram um estudo de campo em uma área infestada de carrapatos no Brasil. Eles perceberam que, com o uso de um dispositivo que liberava lentamente o (E)-2-octenal, a quantidade de insetos fixadas nos protetores de pernas dos voluntários era muito menor. Além disso, um outro experimento mostrou que esses bichos se fixavam em cavalos, mas não em burros.
Para estudar o composto e seus efeitos mais a fundo, a equipe aplicou uma solução de (E)-2-octenal a 20% em um papel de filtro, deixando que carrapatos andassem sobre ele durante 10 minutos. O mesmo foi feito com uma solução de DEET a 20% e um papel de controle com etanol.
Usando um software para rastrear o movimento dos insetos, os pesquisadores observaram que o “perfume de burro” não só foi tão eficaz quanto o DEET, mas ainda superou o composto químico tanto em distância de repelência quanto no caso de carrapatos machos.
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