Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 30 de junho de 2025 · 2 min de leitura ·

Hubble revela algo surpreendente sobre as principais luas geladas de Urano

Hubble revela algo surpreendente sobre as principais luas geladas de Urano

Uma análise recente de dados do Telescópio Espacial Hubble, da NASA, revelou que os lados escuros das maiores luas de Urano estão em posições diferentes do que os cientistas imaginavam. Isso é surpreendente, pois contradiz o que se esperava com base no comportamento da radiação ao redor do planeta.

As descobertas foram apresentadas durante a 246ª conferência anual da Sociedade Astronômica Americana, realizada este mês em Anchorage, Alasca. Os resultados ainda não foram publicados em um periódico científico revisado por pares, o que significa que ainda precisam passar por uma análise mais criteriosa por outros especialistas para validação.

Liderada pelo astrônomo Richard Cartwright, do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins, nos EUA, a pesquisa focou em quatro satélites naturais de Urano: Ariel, Umbriel, Titânia e Oberon. Junto com Miranda, esses corpos fazem parte do grupo das cinco maiores luas do planeta, que tem 28 confirmadas. Curiosamente, esses objetos têm nomes de personagens de William Shakespeare, sendo conhecidos como “luas literárias”.

Elas são “bloqueadas por maré”, o que significa que sempre mostram a mesma face para Urano, assim como a Lua faz com a Terra. Isso cria dois lados distintos: o dianteiro, que avança na órbita, e o traseiro, que fica atrás. A teoria anterior dizia que os lados traseiros deveriam ser mais escuros por acumularem mais radiação da magnetosfera do planeta.

Mas os dados obtidos em ultravioleta com o Hubble mostram o contrário. Nenhuma das luas apresentou o lado dianteiro mais brilhante. E em Titânia e Oberon, o lado traseiro apareceu até mais claro, contrariando a expectativa dos cientistas e colocando em dúvida as ideias anteriores sobre a influência do campo magnético de Urano.

Urano é um planeta com eixo inclinado em 98 graus, o que o faz girar quase de lado, diferente de todos os outros. Mesmo assim, suas luas orbitam ao redor do equador, cruzando a magnetosfera em um ângulo inclinado, e isso pode alterar o efeito da radiação.

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