Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 10 de julho de 2025 · 2 min de leitura ·

Startup de chuva artificial vira alvo após enchentes no Texas

Startup de chuva artificial vira alvo após enchentes no Texas

A startup norte-americana Rainmaker, especializada em semeadura de nuvens, tornou-se centro de uma intensa onda de teorias da conspiração nas redes sociais após as devastadoras enchentes que atingiram o Texas, nos Estados Unidos. A tragédia, que deixou mais de 100 mortos e dezenas de desaparecidos, coincidiu com uma operação de modificação climática realizada dias antes na região, alimentando especulações sobre uma possível relação entre os eventos.

À reportagem do Washington Post, o fundador da empresa, Augustus Doricko, relata ter enfrentado uma avalanche de acusações online, impulsionadas por figuras públicas, influenciadores e políticos. Entre os nomes estão a deputada Marjorie Taylor Greene e o ex-assessor de Donald Trump, Michael Flynn, que sugeriram publicamente que a tecnologia da startup pode ter contribuído para o desastre climático.

Apesar das evidências científicas, teorias conspiratórias se espalharam rapidamente nas plataformas digitais. Postagens no X (antigo Twitter) exigiram “responsabilização” da startup e compartilharam documentos sobre sua licença para realizar modificações climáticas no Texas. Um dos vídeos mais disseminados mostrou uma entrevista de Doricko intercalada com imagens da destruição, acompanhadas por trilha sonora dramática.

A deputada Marjorie Taylor Greene chegou a anunciar um projeto de lei para tornar a tentativa de alterar o clima um crime federal. A postagem teve mais de 18 milhões de visualizações.

Doricko, por sua vez, participou de conversas ao vivo para esclarecer a atuação da empresa e rebateu tentativas de exposição indevida, como postagens que divulgaram o endereço de sua sede, posteriormente removidas pela rede.

Embora a semeadura de nuvens remonte a experimentos militares nos anos 1940, o interesse pela técnica tem crescido nos últimos anos em função das mudanças climáticas e da escassez de água. Países como China, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos já investiram milhões em programas de modificação do clima. Nos EUA, estados como Utah mantêm orçamentos anuais dedicados à prática.

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