Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 26 de setembro de 2025 · 2 min de leitura ·

História da Lua pode ser reescrita com amostra da Apollo 17

História da Lua pode ser reescrita com amostra da Apollo 17

Os impactos que geraram as crateras na Lua podem ter acontecido muito antes do que se imaginava. É o que sugere uma nova pesquisa que analisou a amostra 76535, coletada pela Apollo 17, a última missão da NASA à superfície lunar até hoje, em 1972. 

A pequena rocha intriga cientistas há anos pela ausência de sinais dos choques violentos normalmente esperados quando rochas profundas são lançadas à superfície — essa, por exemplo, formou-se a quase 50 quilômetros de profundidade. 

A hipótese mais aceita é de que seja consequência do impacto que formou a maior cratera da Lua, a Bacia de Aitken, no Polo Sul. Mas a pesquisa, liderada pelo cientista planetário Evan Bjonnes, do Laboratório Nacional Lawrence Livermore, e publicada na revista científica Geophysical Research Letters, oferece outra explicação.

A nova data indica que outras bacias lunares também podem ser mais antigas do que as atualmente mapeadas. Isso leva os cientistas a repensar a rapidez com que a Lua esfriou e a frequência com que grandes impactos atingiram o sistema solar interno, o que inclui, claro, a Terra.

A formação da Lua ajuda a contar a história do nosso planeta, já que os primeiros registros da superfície foram, em grande parte, apagados pelas placas tectônicas e pela geologia. A alteração de um impacto lunar fundamental para a formação do satélite reconstrói, portanto, a nossa história.

“Ao empurrar Serenitatis para trás no tempo, estamos alterando toda a linha do tempo de quando grandes impactos ocorreram em todo o Sistema Solar”, disse Bjonnes. “Isso também tem efeitos em cascata para a compreensão do ambiente primitivo da Terra.”

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