Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 15 de outubro de 2025 · 2 min de leitura ·

Financiamento climático no Brasil é desigual e injusto, aponta relatório

Financiamento climático no Brasil é desigual e injusto, aponta relatório

A agenda climática do Brasil aprofunda desigualdades raciais, de gênero e territoriais, colocando em risco populações historicamente mais vulneráveis. Essa é a conclusão do relatório “Encruzilhada Climática – Um Retrato das Desigualdades Brasileiras”, divulgado pela Oxfam — confederação global de organizações que combate a pobreza e a desigualdade por meio de campanhas, projetos de desenvolvimento e ajuda humanitária. O documento analisou diversos indicadores sociais e econômicos, políticas nacionais e o orçamento federal entre 2023 e 2025.

Segundo o relatório, em 2023, a função gestão ambiental recebeu apenas 0,34% do total de recursos empenhados no Orçamento da União. Na prática, isso significa que, a cada R$ 300 do orçamento federal, menos de R$ 1 foi destinado diretamente à proteção do meio ambiente. 

Enquanto isso, setores com alto impacto sobre as emissões de carbono, como agricultura (R$ 90,25 bilhões) e transporte (R$ 43,91 bilhões), receberam volumes significativamente maiores. A disparidade fica ainda mais clara ao comparar o Fundo Clima, que recebeu R$ 10,4 bilhões, com o Plano Safra 2024/2025, que contou com R$ 400 bilhões.

“Essa escolha orçamentária revela uma prioridade perversa: privilegia setores que intensificam a crise climática em detrimento da proteção das pessoas e territórios em maior vulnerabilidade”, afirma Viviana Santiago, diretora-executiva da Oxfam Brasil.

O relatório afirma que os impactos da crise climática não são iguais para todos. As populações mais afetadas são as que já enfrentam historicamente as piores condições de vida:

“Estamos diante de um racismo ambiental evidente. A crise climática escancara e aprofunda injustiças históricas. Não haverá transição justa sem enfrentar o racismo, a desigualdade de gênero e a concentração de terras”, destaca Viviana.

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