Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 6 de novembro de 2025 · 2 min de leitura ·

COP30 precisa ser histórica, diz cientista climático

COP30 precisa ser histórica, diz cientista climático

Os olhares do mundo todo estão voltados para Belém, no Pará. A cidade brasileira é sede da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025, a COP30, que irá debater soluções para a crise climática.

A expectativa é grande. Para Carlos Nobre, um dos mais respeitados cientistas climáticos do mundo, esta terá de ser a mais importante de todas as edições do evento em termos de avanços em ações efetivas para combater as mudanças climáticas.

Carlos Nobre lembra que durante a COP26, realizada em Glasgow, na Escócia, todos os países concordaram em não deixar a temperatura passar de 1,5 °C. Para isso, era necessário reduzir 43% das emissões até 2030 e zerar o saldo de emissões líquidas até 2050. Uma meta que ainda está distante.

Portanto, na minha opinião, a COP30 tem que ser, assim como foi a COP21, com o Acordo de Paris, e depois a COP26, a COP mais importante. Todos os países, ainda que os Estados Unidos não estejam dentro, têm de acelerar demais a redução das emissões. É um enorme desafio. A China colocou pequenas metas de redução até 2035. Precisa acelerar demais. Hoje é o país que mais emite, junto com a Índia. Já os Estados Unidos têm de esperar que o próximo presidente mude essa política.

O especialista ainda alerta para os riscos de superar os 2 °C de aquecimento. Segundo ele, podemos observar uma grande extinção dos recifes de corais e de inúmeras espécies oceânicas, mas também de animais que vivem nos continentes.

Nós vamos fazer com que descongele o solo congelado da Sibéria, norte do Canadá e norte do Alasca, o chamado permafrost, que congelou há milhões e milhões e milhões de anos e represou uma quantidade gigantesca de gás de efeito estufa, como o metano, que é 28 a 30 vezes mais poderoso para reter o calor em comparação com o gás carbônico. E já começou a descongelar. Até 2100, mais de 200 bilhões de toneladas desses gases do permafrost vão ser lançados na atmosfera. Nós vamos acelerar demais o derretimento do manto de gelo na Groenlândia. Isso vai aumentar muito o nível do mar e também de parte da Antártica Ocidental. Vamos praticamente derreter o gelo do mar Ártico e ali do oceano do lado da Antártica.

Compartilhe