Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 8 de novembro de 2025 · 2 min de leitura ·

Satélites espelhados podem transformar (e poluir) o céu noturno

Satélites espelhados podem transformar (e poluir) o céu noturno

A startup Reflect Orbital quer lançar uma rede de satélites bem diferentes dos que temos atualmente, que refletem a luz solar sem querer. Esses satélites seriam desenvolvidos para brilhar de propósito no céu, causando poluição luminosa intencionalmente.

A ideia é usar espelhos que projetem a luz para um ponto específico na Terra, permitindo, por exemplo, que usinas solares operem após o pôr do sol, explica artigo no The Conversation.

O lançamento de um satélite de testes, chamado Earendil-1, deve ocorrer apenas em 2026, mas a empresa espera colocar em órbita cerca de 4 mil satélites até 2030.

Esses satélites refletiriam a luz do Sol para a Terra, criando pontos luminosos visíveis no céu noturno. Embora a luz refletida seja bem mais fraca que a do Sol, ela ainda seria mais intensa que a de uma Lua cheia, preocupando astrônomos por aumentar a poluição luminosa.

Mesmo com tecnologia avançada, os satélites não conseguiriam concentrar o reflexo em áreas pequenas, iluminando regiões de até 7 quilômetros de diâmetro a centenas de quilômetros de altura. Por isso, o projeto levanta dúvidas sobre sua utilidade real e o impacto visual no espaço noturno.

Michael J. I. Brown, da Universidade Monash (Austrália), e Matthew Kenworthy, da Universidade de Leiden (Holanda), ambos professores associados de Astronomia, explicam que a Reflect Orbital pretende gerar “apenas 200 watts por metro quadrado” — o equivalente a cerca de 20% da luz do Sol ao meio-dia.

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