Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 16 de dezembro de 2025 · 2 min de leitura ·

Amazônia pode perder até 38% da floresta até o fim do século

Amazônia pode perder até 38% da floresta até o fim do século

A Floresta Amazônica pode perder mais de um terço de sua cobertura até o fim deste século, segundo um novo estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Ludwig Maximilian de Munique (LMU), na Alemanha. A análise indica que a combinação entre mudanças no uso da terra e aquecimento global tende a intensificar a degradação do bioma, com impactos profundos sobre o clima e a biodiversidade.

De acordo com os autores, a Amazônia enfrenta um risco crescente de atingir um ponto crítico a partir do qual grandes áreas de floresta densa podem se transformar em paisagens abertas, semelhantes à savana. Esse tipo de transição, se ocorrer em larga escala, pode ser irreversível e comprometer de forma permanente o equilíbrio do ecossistema.

A Amazônia é a maior floresta tropical do mundo, com cerca de 5,5 milhões de quilômetros quadrados, e desempenha um papel central na regulação climática do planeta. Além de abrigar uma enorme diversidade de espécies e comunidades indígenas, o bioma armazena aproximadamente um décimo de todo o carbono presente nos ecossistemas terrestres, considerando biomassa e solo.

Outro fator essencial é o chamado ciclo de evaporação. Por meio de sua vasta cobertura vegetal, a floresta transporta umidade do oceano para o interior do continente, mantendo um regime contínuo de chuvas. Esse processo permite que a própria floresta sustente suas condições ambientais, mas também a torna vulnerável quando há redução da cobertura vegetal ou aumento de eventos extremos, como secas e ondas de calor.

O estudo destaca que a expansão da agricultura e da pecuária sobre áreas antes florestadas, somada ao aumento das temperaturas globais, já vem causando danos progressivos à Amazônia. Até agora, porém, havia poucas análises que avaliassem de forma integrada como esses dois fatores interagem e quais seriam seus efeitos no longo prazo.

A pesquisa liderada pela geógrafa Selma Bultan, da LMU, é a primeira a considerar de maneira sistemática o impacto conjunto das mudanças climáticas e do uso da terra sobre a floresta amazônica. Os resultados foram publicados na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

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