
Um analista brasileiro de segurança digital conseguiu identificar falhas em sistemas internos da NASA e foi oficialmente reconhecido pela agência espacial norte-americana. Carlos Eduardo Zambelli Aloi, de 38 anos, dedicou cerca de quatro horas diárias, após seu expediente, para testar a segurança da infraestrutura digital da NASA ao longo de 2025, em um esforço solitário que ele descreve, em entrevista ao g1, como “frustrante” devido à demora nas respostas.
Das 26 vulnerabilidades que reportou, apenas duas foram validadas e corrigidas pela NASA em novembro daquele ano, rendendo-lhe uma “Carta de Reconhecimento” assinada pela diretora de segurança da informação, Tamiko Fletcher. O brasileiro integra agora o hall da fama da plataforma Bugcrowd, usada pela agência para gerenciar relatos de falhas. Não houve recompensa financeira — apenas o reconhecimento técnico.
As falhas exploradas eram graves. Em uma delas, Carlos Eduardo acessou um documento no Google Docs contendo um artigo científico restrito a funcionários, no qual inseriu um link malicioso para demonstrar o risco. “Se quisesse, poderia roubar credenciais, como e-mails e senhas, de pessoas da NASA”, relatou ao site. Na segunda vulnerabilidade, ele encontrou uma pasta com dados sensíveis da infraestrutura interna, incluindo senhas e endereços de IP.
O processo de reporte foi marcado pela lentidão. “Você passa muito tempo testando, monta o relatório, envia e ele não é aceito ou a falha é considerada sem impacto. É frustrante ficar horas trabalhando e não receber retorno”, desabafou. Em alguns casos, o feedback da NASA demorou semanas.
Carlos Eduardo, que atua há uma década em cibersegurança, encarou o desafio também como uma forma de superar o luto pela morte do pai, em outubro de 2025. “Eu me apoiei nisso para distrair a cabeça, porque é uma coisa que eu gosto de fazer”, confessou.
A NASA, por meio de sua política de divulgação de vulnerabilidades (VDP), confirmou o uso da Bugcrowd para receber relatórios externos e a emissão de cartas para falhas validadas e corrigidas. Em nota, a agência optou por não comentar os casos específicos por “questões de segurança”, mas reafirmou seu programa aberto a pesquisadores de todo o mundo.
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