
Novas observações em infravermelho divulgadas pela NASA revelam detalhes inéditos do cometa interestelar 3I/ATLAS, que está em rota de saída do Sistema Solar. Registradas pelo Espectrofotômetro para a História do Universo, Época da Reionização e Explorador de Gelo (SPHEREx), as imagens mostram que o objeto apresentou uma atividade inesperadamente intensa mesmo bem depois de passar pelo Sol.
Os registros foram feitos em dezembro, cerca de dois meses após o periélio (encontro mais próximo do cometa com o Sol). Em vez de perder brilho gradualmente, o 3I/ATLAS liberou grandes quantidades de gás, poeira e moléculas complexas. Esse comportamento permitiu aos cientistas obter a visão química mais detalhada já registrada de um corpo formado ao redor de outra estrela.
As imagens mostram que o cometa desenvolveu uma coma brilhante – nuvem de gás ao redor do núcleo – rica em vapor d’água, dióxido de carbono e compostos orgânicos. Também foi identificada uma cauda de poeira com formato semelhante ao de uma pera, resultado da ejeção de partículas rochosas à medida que a atividade do objeto aumentava.
De acordo com Carey Lisse, autora principal do artigo que descreve as observações, o brilho do cometa aumentou de forma significativa após sua passagem próxima pelo Sol. A pesquisadora explica que até mesmo o gelo de água estava se transformando rapidamente em gás no espaço interplanetário, algo incomum para um cometa já distante do calor solar.
Descoberto em julho de 2025 pelo Sistema de Alerta Final para Impactos de Asteroides com a Terra (ATLAS), o 3I/ATLAS é apenas o terceiro objeto interestelar confirmado a cruzar o Sistema Solar, depois de 1I/‘Oumuamua, observado em 2017, e 2I/Borisov, identificado em 2019. Diferentemente dos anteriores, o 3I/ATLAS exibiu um conjunto químico muito mais rico.
O telescópio SPHEREx observa o Universo na faixa do infravermelho, o que permite identificar não apenas poeira, mas também diferentes tipos de moléculas. No caso do 3I/ATLAS, foram detectados gelo de água, dióxido de carbono, metano, metanol e cianeto. Essas substâncias são consideradas ingredientes importantes no processo de formação de planetas.
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