Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 6 de maio de 2026 · 2 min de leitura ·

“Zona de Evitamento” da Via Láctea abriga superaglomerado de galáxias gigantesco

“Zona de Evitamento” da Via Láctea abriga superaglomerado de galáxias gigantesco

Um estudo disponível em versão pré-impressão no repositório arXiv, onde aguarda revisão de pares para publicação, apresenta novas informações sobre uma gigantesca estrutura cósmica chamada Superaglomerado de Vela. 

Trata-se de um conjunto com mais de 20 aglomerados de galáxias que, segundo os pesquisadores, é ainda maior do que se imaginava e influencia o movimento de galáxias em grande escala no Universo próximo.

Esse superaglomerado foi identificado em 2016 por uma equipe liderada por Renée C. Kraan-Korteweg, da Universidade da Cidade do Cabo, na África do Sul. Ele está localizado a cerca de 870 milhões de anos-luz da Terra e fica próximo ao plano da Via Láctea. Essa região é difícil de observar porque a poeira galáctica bloqueia a luz de objetos mais distantes, criando o que os astrônomos chamam de “Zona de Evitamento”.

A Zona de Evitamento cobre cerca de 20% do céu observado da Terra, o que significa que uma grande parte do Universo visível fica parcialmente escondida. Para contornar esse problema, os astrônomos utilizam diferentes técnicas de observação em comprimentos de onda menos afetados pela poeira. Ao estudar essas regiões, eles conseguem mapear estruturas que influenciam o movimento das galáxias, conhecidos como fluxos cósmicos.

O catálogo CosmicFlows reúne medições detalhadas dos movimentos das galáxias, permitindo identificar desvios causados pela gravidade de grandes estruturas. Esses movimentos são chamados de movimentos peculiares e ajudam a revelar a presença de massas invisíveis em escala cósmica. Entre essas estruturas estão o Grande Atrator e o Superaglomerado de Shapley, que também exercem forte influência gravitacional no Universo próximo.

Agora, o novo estudo, liderado por Amber Hollinger, da Universidade Claude Bernard Lyon 1, na França, reuniu dados mais amplos para investigar o Superaglomerado de Vela. A equipe utilizou mais de 65 mil medições de distância de galáxias e milhares de novos redshifts, combinando informações com observações do Grande Telescópio da África Austra (SALT) e do radiotelescópio MeerKAT, ambos na África do Sul. O MeerKAT foi essencial para detectar galáxias escondidas, já que a emissão de rádio do hidrogênio consegue atravessar a poeira galáctica.

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