
Um artigo publicado nesta segunda-feira (9) na revista Nature Communications relata a descoberta de um imenso possível túnel vulcânico subterrâneo em Vênus, a partir da análise de dados antigos da missão Magellan, da NASA, que mapeou o planeta no início da década de 1990.
Se confirmado, esta seria apenas a segunda vez que um tubo de lava é identificado em Vênus, fenômeno já observado na Lua e em Marte. Isso desafia a ideia de um mundo geologicamente inativo.
“Nosso conhecimento sobre Vênus ainda é limitado e, até agora, nunca tivemos a oportunidade de observar diretamente os processos que ocorrem abaixo da superfície do planeta gêmeo da Terra”, disse Lorenzo Bruzzone, coautor do estudo e pesquisador da Universidade de Trento, na Itália, em um comunicado. O cientista acrescentou que a identificação de uma cavidade vulcânica é importante porque permite validar teorias que, até agora, eram apenas hipóteses sobre a atividade vulcânica venusiana.
Vênus está sempre coberto por densas nuvens, o que impede a observação direta de sua superfície. Por isso, pesquisadores dependem de imagens de radar para estudar sua geologia. Entre 1990 e 1992, a sonda Magellan mapeou grande parte do planeta usando ondas de rádio, gerando um arquivo de imagens que ainda é analisado.
O radar funciona enviando sinais que retornam ao chegar à superfície. Com isso, os estudiosos conseguem construir mapas detalhados, revelando crateras, falhas e áreas colapsadas. Algumas dessas estruturas se estendem por dezenas a milhares de quilômetros, sugerindo a presença de tubos de lava subterrâneos.
A equipe de Bruzzone focou em colapsos superficiais, que aparecem quando a rocha cede e forma aberturas parecidas com claraboias. Um desses pontos, no flanco oeste do vulcão Nyx Mons, exibiu um padrão de radar típico de tetos de tubos de lava colapsados.
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