
Durante muito tempo, os maias foram retratados como uma civilização que desapareceu de forma repentina e misteriosa. Hoje, essa interpretação vem sendo revista.
Pesquisas recentes indicam que não houve um sumiço abrupto, mas um processo gradual de transformação, migração e reorganização social. A noção de “colapso” está sendo substituída por uma visão mais complexa.
Arqueólogos passaram a questionar ideias consideradas consolidadas: quantas pessoas viviam nas terras baixas da América Central, como eram organizadas as cidades e qual era a relação entre centros urbanos e áreas rurais. Em vez de cidades isoladas cercadas por selva vazia, os dados apontam para uma ocupação intensa e planejada do território.
Um dos nomes ligados a essa mudança de perspectiva é o arqueólogo Francisco Estrada-Belli, da Universidade Tulane, nos Estados Unidos. Em entrevista ao jornal The Guardian, ele conta que decidiu estudar os maias ainda na infância, após visitar as ruínas de Tikal, na Guatemala. A imponência dos templos em meio à floresta marcou sua trajetória.
Décadas depois, Estrada-Belli liderou um estudo publicado no periódico científico Journal of Archaeological Science: Reports que estimou a população maia no Período Clássico Tardio, entre 600 e 900 d.C., em cerca de 16 milhões de pessoas. Antes, os cálculos variavam entre 7 e 11 milhões.
Se estiver correta, essa estimativa indica que a região era extremamente populosa. Para efeito de comparação, teria mais habitantes do que a península Itálica no auge do Império Romano, mesmo ocupando área menor. Isso reforça a ideia de que os maias desenvolveram uma sociedade altamente estruturada.
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