
Pesquisadores da The University of Manchester apresentaram um novo modelo para o planejamento de missões de satélites de observação da Terra com foco em reduzir o risco de colisões em órbita. O estudo foi publicado no periódico Advances in Space Research e propõe que o risco de impacto seja considerado desde as primeiras etapas do desenho das missões, buscando equilibrar a coleta de dados e a sustentabilidade do ambiente espacial.
Segundo os autores, o avanço do uso de satélites tem ampliado a capacidade de monitorar desafios globais, como mudanças climáticas, produção de alimentos, cadeias de suprimentos e degradação ambiental. Ao mesmo tempo, o crescimento acelerado dessas operações vem tornando as órbitas terrestres mais congestionadas, o que eleva a possibilidade de colisões e a formação de detritos espaciais de longa duração.
Atualmente, há cerca de 11.800 satélites ativos em órbita, mas projeções indicam que esse número pode ultrapassar 100 mil até o fim da década. Nesse cenário, colisões podem gerar grandes quantidades de fragmentos, colocando em risco outros satélites, astronautas e a utilização futura de regiões importantes do espaço.
Muitas aplicações voltadas aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas dependem de imagens de altíssima resolução. Para obter esse nível de detalhe, satélites costumam operar em altitudes mais baixas, reduzindo o campo de visão. Outra alternativa é operar em altitudes mais altas, mas com satélites maiores e mais pesados, capazes de carregar sistemas ópticos mais robustos.
O novo modelo propõe analisar simultaneamente requisitos de desempenho e risco de colisão durante o planejamento. A abordagem conecta parâmetros como resolução de imagem, área de cobertura, tamanho e massa dos satélites, quantidade de unidades em uma constelação e a concentração de detritos em diferentes regiões da órbita baixa da Terra.
Com isso, os projetistas conseguem testar como diferentes escolhas afetam tanto a qualidade dos dados quanto a segurança orbital. Um dos resultados do estudo indica que o risco de colisão não depende apenas da concentração de detritos, mas também do tamanho do satélite.
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