
Respirar oxigênio é algo tão natural que, às vezes, esquecemos como isso já foi raro no passado da Terra. Mas, uma descoberta recente esclarece um mistério que intriga os cientistas há anos: como surgiram os primeiros organismos que respiravam se seus ancestrais, teoricamente, detestavam o gás?
Até hoje, a teoria mais aceita para o surgimento de plantas, animais e fungos (os chamados eucariontes) é a endossimbiose. Nela, uma célula simples do grupo Asgard archaea teria “engolido” uma bactéria. Em vez de digeri-la, as duas passaram a viver juntas: a bactéria tornou-se a mitocôndria, a usina de energia das nossas células que utiliza oxigênio para funcionar.
O problema era, ao mesmo tempo, geológico e biológico. As arqueias de Asgard conhecidas até então viviam apenas em fontes termais profundas e ambientes sem oxigênio. Como elas poderiam ter se fundido com bactérias que dependiam do gás para sobreviver?
O novo estudo, liderado pela Universidade do Texas em Austin, nos Estados Unidos, prova que esse ancestral não era um “fugitivo” do ar puro, mas sim um organismo capaz de tolerar e processar o elemento.
Para desvendar o mistério, os pesquisadores analisaram 15 terabytes de DNA ambiental coletados em diversas expedições marinhas. Através da ferramenta de inteligência artificial AlphaFold, a equipe conseguiu prever as proteínas que os genes dessas arqueias produziriam, confirmando que elas possuíam o “maquinário” necessário para lidar com o oxigênio.
“Este estudo fornece novas pistas sobre o estilo de vida de nossos ancestrais microbianos, e acreditamos que eles podiam respirar oxigênio como nós!”, afirmou Brett Baker, autor principal do estudo e professor associado de ciências marinhas na Universidade do Texas, em entrevista ao IFLScience.
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