Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 23 de fevereiro de 2026 · 2 min de leitura ·

Nova hipótese desafia o que se sabia sobre o interior da Terra na era da Pangeia

Nova hipótese desafia o que se sabia sobre o interior da Terra na era da Pangeia

Há cerca de 200 milhões de anos, no início do período Jurássico, o supercontinente Pangeia começou a se fragmentar, marcando uma das maiores transformações geológicas da Terra. Grandes massas de solo se afastaram, oceanos se abriram e, lentamente, surgiu a configuração continental atual. A separação se deu ao longo de milhões de anos, impulsionada por forças internas que atuam abaixo da crosta terrestre.

Durante muito tempo, a explicação mais aceita para essa ruptura foi o chamado “isolamento térmico”. Segundo essa hipótese, a união de quase todos os continentes em um único bloco teria dificultado a saída de calor do interior da Terra. O supercontinente funcionaria como um grande cobertor, retendo energia no manto, a espessa camada situada entre a crosta e o núcleo.

Com o passar de dezenas de milhões de anos, esse calor acumulado teria elevado significativamente a temperatura do manto. Quando as placas tectônicas começaram a se esticar, o excesso térmico teria facilitado a abertura de fraturas. O resultado seria a formação de nova crosta oceânica, além de intensa atividade vulcânica associada ao rompimento continental.

Um dos exemplos frequentemente associados a essa ideia é a Província Magmática do Atlântico Central. Essa imensa região de rochas vulcânicas se formou aproximadamente no mesmo período em que o Atlântico começou a se abrir. Para muitos pesquisadores, o evento era visto como evidência de um manto extremamente aquecido sob o antigo supercontinente.

No entanto, um estudo recente publicado na revista Earth and Planetary Science Letters apresenta uma interpretação diferente. Em vez de assumir um superaquecimento global, os cientistas analisaram dados concretos sobre a espessura das primeiras crostas oceânicas formadas após a fragmentação. Essas rochas funcionam como registros indiretos das condições térmicas do passado.

Como o manto não pode ser medido diretamente, os pesquisadores utilizam indicadores geológicos. Um dos principais é a espessura da crosta oceânica criada quando as placas tectônicas se afastam. Quanto mais quente o manto, maior o volume de magma gerado. Ao se solidificar, esse magma forma uma crosta mais espessa.

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