Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 23 de fevereiro de 2026 · 2 min de leitura ·

Quem chegou primeiro? Fósseis chineses reacendem debate sobre evolução humana

Quem chegou primeiro? Fósseis chineses reacendem debate sobre evolução humana

Dois crânios descobertos em Yunxian, no norte da China, acabam de ganhar uma nova posição na história da evolução humana. Um estudo recente redatou os fósseis para cerca de 1,77 milhão de anos, o que os torna os exemplares mais antigos conhecidos de Homo erectus no leste da Ásia – e afastando a hipótese de que eles estariam ligados aos denisovanos.

A nova datação transforma Yunxian em um ponto-chave para compreender a expansão inicial dos hominídeos fora da África. Se confirmada, ela indica que o Homo erectus se espalhou pelo continente asiático muito antes e de forma muito mais rápida do que se supunha.

Isso porque, até então, os fósseis mais antigos atribuídos ao Homo erectus fora da África tinham cerca de 1,63 milhão de anos, encontrados em Gongwangling, também na China. Essa cronologia sugeria que a espécie teria levado aproximadamente 140 mil anos para avançar rumo ao leste após surgir na África, há cerca de 1,9 milhão de anos.

Com a nova estimativa de 1,77 milhão de anos para Yunxian, o cenário muda. A idade dos crânios passa a coincidir com os fósseis da Caverna de Dmanisi, na Geórgia, que datam de 1,85 milhão a 1,77 milhão de anos. Isso indica que hominídeos já habitavam regiões distantes da Eurásia praticamente ao mesmo tempo – um sinal de dispersão extremamente rápida ou de uma saída ainda mais precoce da África.

A redatação foi feita por meio da análise de isótopos de alumínio-26 e berílio-10 em grãos de quartzo presentes na camada sedimentar onde os crânios estavam preservados, às margens do rio Han. O método permitiu estabelecer com maior precisão o momento em que esses indivíduos viveram.

A nova idade também enfraquece uma proposta anterior que sugeria que os crânios poderiam estar ligados aos denisovanos.

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