Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 31 de março de 2026 · 2 min de leitura ·

Descoberta confirma caça sofisticada de elefantes gigantes por neandertais

Descoberta confirma caça sofisticada de elefantes gigantes por neandertais

Um artigo publicado este mês na revista Scientific Reports apresenta a evidência mais sólida já encontrada de que neandertais caçavam elefantes gigantes. O estudo revisita um achado histórico em Lehringen, na Alemanha, revelando detalhes que mudam a forma como entendemos o comportamento desses humanos antigos, mostrando planejamento, cooperação e habilidades sofisticadas na caça.

Tudo começou em 1948, quando arqueólogos amadores encontraram no local o esqueleto quase completo de um elefante de presas retas, um gigante da Era do Gelo e o maior mamífero terrestre da Europa. Os restos estavam preservados em sedimentos datados de cerca de 125 mil anos, durante o último período interglacial, quando a região era coberta por densas florestas e o clima era mais quente do que o atual.

O detalhe mais intrigante apareceu entre as costelas do animal: uma lança de madeira praticamente intacta. Por décadas, especialistas discutiram se isso representava uma caça direta ou se a arma havia se deslocado naturalmente após a morte do elefante. A ausência de sinais claros nos ossos impedia qualquer conclusão sobre o comportamento neandertal, mantendo o mistério por muito tempo.

Agora, uma nova análise conduzida por cientistas da Universidade de Göttingen e do Niedersächsisches Landesamt für Denkmalpflege, ambos na Alemanha, identificou marcas de corte precisas nas costelas e vértebras do elefante, indicando que os neandertais não apenas tiveram contato com ele, como realizaram o abate e processaram sua carne e órgãos diretamente no local, descartando a ideia de que apenas encontraram a carcaça.

Caçar um elefante de presas retas exigia extrema habilidade, planejamento e coordenação em grupo. Segundo os pesquisadores, o macho encontrado em Lehringen tinha cerca de 30 anos e poderia fornecer aproximadamente 3.500 kg de carne, gordura e órgãos, alimento suficiente para sustentar um grupo por semanas, caso o abate e o processamento fossem realizados de maneira rápida e organizada.

O estudo detalhou também o desmembramento do animal, revelando cortes sistemáticos na cavidade torácica para acessar órgãos internos. Esse padrão é difícil de explicar como acidente ou efeito de processos naturais, confirmando que os neandertais possuíam conhecimento anatômico e técnicas de açougue avançadas para extrair recursos de alto valor do animal.

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